Muitos dizem que ‘futebol não é coisa para mulher’. Até entendo esse machismo, afinal, ainda recentemente o futebol era proibido por lei para as mulheres. Até hoje, algumas mulheres não se vêem invadindo o universo masculino e participando do mundo do futebol.
Historicamente sabemos que o primeiro jogo onde as mulheres participaram como jogadoras ocorreu em 1913. Um jogo beneficente para arrecadação de fundos para construção de um hospital. Depois, em 1921 senhoras de dois bairros da Zona Norte de São Paulo fizeram a segunda partida. E só em 1940 o primeiro torneio de futebol feminino aconteceu no Rio de Janeiro. Neste mesmo ano, os médicos aconselhavam as mulheres a pratica esportiva, desde que jogassem vôlei, tênis, praticassem atletismo ou natação. O futebol? Bom, ele era abominável. Inaceitável. Diziam que a pratica acabava prejudicando os órgãos de reprodução das mulheres.
Getulio Vargas concordou com a idéia. Criou então o Decreto-Lei 3.199, do Ministério da Educação, que em seu artigo 54 dizia: "Às mulheres não se permitirão à prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza". Esse decreto Lei só foi revogado – acreditem – em 1979, 38 anos mais tarde.
No entanto, o preconceito não foi abolido junto com o decreto. Ele ainda existe. E não só com as mulheres que jogam futebol. Com todas as que se envolvem com o assunto. Em menor escala, é claro. Mas existe.
Quando decidi que queria ser arbitra, ouvi várias piadinhas a respeito. Chegaram a questionar até minhas preferências sexuais. Como se isso fosse problema de alguém mais que não eu.
Talvez o que incomode (homens e mulheres) é o fato de nos adequarmos bem a qualquer situação. A termos mais percepção das decisões que possamos tomar. A desmistificação de que lugar de mulher é na cozinha! Meu lugar é também na cozinha. Mas meu lugar preferido ainda é no campo de futebol. Ou discutindo de futebol com os amigos do trabalho, dando palpites na escalação do time, defendendo (sim, eu defendo) a arbitragem e assistindo ao futebol no domingo. Mas também vou ao supermercado, limpo a casa, lavo roupa e às vezes choro na TPM. Por que sou mulher! Como tantas outras, mas com um diferencial: a amor pelo futebol.
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